O Split Payment é uma das mudanças operacionais mais relevantes da Reforma Tributária e seus efeitos poderão ir muito além do recolhimento da CBS e do IBS. Um dos principais pontos de atenção para as empresas será o impacto sobre o fluxo de caixa.
No modelo tradicional, a empresa recebe o valor da venda e realiza posteriormente o recolhimento dos tributos. Com o Split Payment, a parcela correspondente à CBS e ao IBS poderá ser segregada durante o processo de liquidação financeira da operação.
Na prática, isso pode alterar o montante que permanece disponível no caixa da empresa após o recebimento de uma venda, exigindo uma nova visão sobre planejamento financeiro e necessidade de capital de giro.
As empresas precisarão avaliar aspectos como:
Capital de giro;
Fluxo de caixa;
Prazos de recebimento;
Formação de preços;
Margens;
Conciliação financeira e fiscal;
Sistemas ERP e meios de pagamento;
Relacionamento com clientes e fornecedores.
A atenção deve ser ainda maior para negócios que utilizam parte dos recursos recebidos das vendas para financiar despesas e manter suas operações. Se uma parcela destinada aos tributos deixar de transitar livremente pelo caixa, projeções financeiras e necessidades de liquidez poderão precisar ser revistas.
Por isso, o Split Payment não deve ser tratado exclusivamente como uma responsabilidade do departamento fiscal. Financeiro, contabilidade, tecnologia, comercial e gestão precisarão atuar de maneira integrada para compreender os impactos do novo modelo.
A preparação pode começar com uma pergunta simples: se CBS e IBS forem separados no momento do pagamento, o caixa da empresa continuará funcionando da mesma maneira?
Se ainda não existe uma resposta clara, é hora de começar as simulações.